Arella: As Esteiras de Bambu Tradicionais na Secagem
Se você visitar um fruttaio (sala de secagem) tradicional na Valpolicella durante o inverno, verá algo que parece saído de um filme antigo: milhares de esteiras de bambu empilhadas, carregando o peso precioso das uvas Corvina. O nome desse objeto é Arella, e ele é o berço onde o Amarone nasce.
1. Tecnologia Natural
A arella é feita de canas de bambu ou junco do rio, trançadas à mão. Por séculos, essa foi a única ferramenta disponível para o Appassimento.
A escolha do material não era estética, mas funcional. O bambu é excelente para absorver a umidade excessiva que a uva libera nos primeiros dias de secagem, ajudando a prevenir o mofo. Além disso, o trançado permite que o ar circule por baixo dos cachos, garantindo uma secagem uniforme de 360 graus.
2. A Chegada do Plástico
Hoje, a maioria das grandes vinícolas substituiu as arelle por caixas plásticas perfuradas (chamadas plateaux). O plástico é mais fácil de lavar, esterilizar e empilhar, o que reduz o risco de contaminação e facilita a logística.
No entanto, os produtores mais românticos e tradicionalistas ainda mantêm as esteiras de bambu para seus vinhos de topo. Eles acreditam que o contato com o material natural influencia sutilmente o processo de respiração da uva, mantendo viva a conexão com o passado.
3. O Símbolo da Região
Independentemente do material, a arella se tornou o símbolo visual da Valpolicella. Ela representa a paciência necessária para fazer um grande vinho. Enquanto o mundo moderno exige rapidez, a imagem das uvas descansando no bambu nos lembra que o luxo verdadeiro leva tempo.
O Descanso dos Justos
Depois de meses de descanso nessas esteiras, as uvas nos dão o Amarone. Confira nossa seleção e prove o resultado dessa longa espera.



