Campofiorin 1964: A Inovação da Masi e a Dupla Fermentação
Se o Ripasso era a engenharia camponesa para aproveitar sobras, o Campofiorin foi a engenharia de luxo para criar um ícone. Lançado em 1964 pela histórica vinícola Masi, este vinho criou, sozinho, uma nova categoria de “Super Vênetos”, inspirando produtores em toda a Itália a buscar novos caminhos.
1. A Revolução de 1964
Sob a liderança de Guido Boscaini, a Masi queria criar um vinho que tivesse a complexidade do Amarone, mas fosse mais acessível e fácil de beber. Eles pegaram a técnica antiga do Ripasso e a refinaram.
O Campofiorin foi o primeiro vinho a comercializar esse estilo híbrido em escala global, provando que o Vêneto podia produzir vinhos de “corpo médio-alto” com elegância extraordinária, preenchendo a lacuna entre o Valpolicella leve e o Amarone pesado.
2. Adeus Bagaço, Olá Uvas Inteiras
Com o tempo, a técnica evoluiu. Percebeu-se que “repassar” o vinho no bagaço (cascas usadas) do Amarone poderia, às vezes, trazer notas rústicas. A inovação veio com a Dupla Fermentação.
Em vez de usar sobras, produtores modernos passaram a adicionar uma porcentagem de uvas inteiras semi-secas ao vinho fresco. Isso garante taninos muito mais macios, limpeza aromática e uma textura de veludo. O vinho deixou de ser apenas uma categoria técnica para se tornar uma expressão de autor.
3. O Legado da Inovação
Essa ousadia abriu as portas para que outros produtores explorassem novos territórios. Hoje, vinícolas como a Forniz e a Italo Cescon continuam esse legado de experimentação, produzindo vinhos que fogem do óbvio e utilizam técnicas apuradas para entregar máxima qualidade.
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