“Isso não é Amargo, é Amarone!”: A História do Erro que Criou um Ícone
Na enologia, erros costumam custar caro. O vinagre é o destino comum de vinhos que saem do controle. Mas na Valpolicella, um erro de desatenção criou o rei dos vinhos italianos. O Amarone não foi planejado em laboratório; ele nasceu de um esquecimento.
1. O Barril Esquecido de 1936
A lenda, documentada pela Cantina Sociale Valpolicella Negrar, nos leva à primavera de 1936. O chefe da adega, Adelino Lucchese, encontrou um barril de Recioto (o vinho doce tradicional) que havia sido esquecido no fundo da adega.
O medo era grande: se o vinho tivesse fermentado demais, todo o açúcar teria virado álcool, e o resultado seria um vinho seco e amargo — considerado um defeito grave na época, quando o doce era o padrão de luxo.
2. O Batismo de Adelino
Adelino provou o líquido com receio. Ao invés de cuspir, seus olhos brilharam. Ele percebeu que o vinho tinha ganhado corpo, potência e uma elegância veludada. Ele exclamou a frase que entraria para a história:
“Questo non è amaro, è un amarone!”
Em italiano, amaro significa amargo. O sufixo -one é aumentativo. Ele quis dizer: “Isso não é amargo, é um grande amargo!”. O nome pegou instantaneamente.
3. O Recioto que “Escapou”
Antes de ser rotulado oficialmente, esse estilo era conhecido pelos camponeses como Recioto Scapà (Recioto que escapou ou fugiu). Ele “escapou” do controle do enólogo e as leveduras comeram todo o açúcar.
O que era considerado um desperdício de uvas preciosas tornou-se, com a mudança do paladar mundial para vinhos secos no século XX, o maior tesouro da região.
O Grande Amargo
Hoje, o “erro” de Adelino é apreciado nas melhores mesas do mundo. Descubra a potência e a história por trás de cada garrafa de Amarone da nossa seleção.



