Os Récios: O Povo Alpino que Ensinou Roma a Fazer Vinho
A história ensina que Roma conquistou o mundo, mas no caso do vinho veronese, foram os conquistados que ensinaram os conquistadores. A fundação da enologia da Valpolicella repousa sobre uma civilização frequentemente esquecida nos livros, mas viva em cada garrafa: os Récios (Raeti).
1. Quem eram os Récios?
Muito antes das legiões romanas marcharem, os Récios habitavam as encostas dos Alpes e as colinas morenicas do Lago de Garda durante a Idade do Ferro. Historiadores indicam que eles tinham provável origem etrusca.
Foi através dessa conexão cultural que os Récios refinaram as técnicas primitivas de fermentação, adaptando o conhecimento etrusco ao clima desafiador e frio dos pré-Alpes. Eles não apenas plantavam uvas; eles dominaram a arte de fazer vinho em um ambiente onde outros teriam falhado.
2. A Origem da Qualidade
A importância histórica deste povo é validada pelo primeiro registro documental da viticultura regional, feito por Catão, o Censor, por volta de 200 a.C. Ele descreveu o vinho deles como potente e digno de nota.
Diferentemente de outras zonas vinícolas que perderam suas tradições, a técnica dos Récios de secar as uvas para concentrar açúcares (para sobreviver ao inverno alpino) é a “bisavó” do método que hoje usamos para fazer o Amarone. Sem os Récios, o vinho do Vêneto como conhecemos não existiria.
Herança Milenar
As colinas do Lago de Garda e Valpolicella ainda guardam o DNA dessas técnicas antigas. Explore vinhos que carregam 2.000 anos de evolução em cada gota.



