O Vinho dos Imperadores: A História do Vinum Raeticum
Muito antes da França desenhar o mapa do vinho mundial, o Vêneto já era uma potência enológica. Há mais de dois milênios, as encostas de Verona produziam um vinho tão famoso e exclusivo que se tornou a bebida predileta da elite de Roma: o lendário Vinum Raeticum.
1. O Primeiro Registro da História
A fundação da enologia veronese não começa com os romanos, mas com os Raeti (Récios), um povo alpino de provável origem etrusca. Por volta de 200 a.C., Catão, o Censor, forneceu o primeiro registro escrito sobre este vinho.
Diferentemente de outras tradições que se perderam no tempo, o território que hoje compreende a Valpolicella e o Lago de Garda manteve uma reputação ininterrupta desde então. O Vinum Raeticum não era apenas um produto agrícola; era um marcador de status social e político.
2. O Tônico do Imperador Augusto
A prova definitiva da qualidade deste vinho vem do próprio Imperador Augusto. Conhecido por sua moderação ao beber, Augusto abria uma exceção específica para o vinho do Vêneto.
Os historiadores da época, como Plínio, o Velho, relatam que o imperador tinha o costume de beber o Raeticum antes das refeições, considerando-o um tônico para a saúde e o espírito. Essa preferência imperial elevou os vinhedos de Verona ao status de “Grand Cru” da antiguidade.
3. O Ancestral do Recioto
Mas que gosto tinha esse vinho? As evidências sugerem que ele era feito com uvas secas (passificadas), uma técnica desenvolvida pelos Récios para concentrar açúcar e sabor no clima frio dos Alpes.
Isso faz do antigo Raeticum o ancestral direto dos modernos Recioto e Amarone. Ao abrir uma garrafa desses vinhos hoje, você está literalmente provando a evolução de uma receita aprovada por imperadores.
Beba como um Imperador
A técnica de secar as uvas sobreviveu por 2.000 anos. Descubra os herdeiros modernos do Vinum Raeticum em nossa adega: o Amarone e o Recioto.



