Por que “Recioto”? O Segredo das “Orelhas” da Uva
Antes do mundo se apaixonar pelo Amarone seco e potente, o rei da Valpolicella era um vinho tinto doce, aveludado e complexo: o Recioto. Mas você já parou para pensar na origem deste nome curioso? A resposta está no dialeto local e na anatomia da uva.
1. As “Orelhas” do Cacho
A teoria mais aceita sustenta que o termo Recioto deriva da palavra no dialeto veronese recie, que significa “orelhas”. Mas o que orelhas têm a ver com vinho?
Os camponeses antigos usavam esse termo para descrever a parte superior do cacho de uvas — as “asas” ou ombros laterais do cacho. Devido à sua posição, essas “orelhas” recebem a maior incidência de luz solar durante todo o ciclo de crescimento.
2. A Seleção da Doçura
Por receberem mais sol, as recie são naturalmente a parte mais doce, madura e rica em sabor de todo o cacho. A produção do Recioto original exigia um trabalho manual insano: os colhedores cortavam apenas essas orelhas laterais para fazer o vinho, deixando o resto do cacho para vinhos mais simples.
Essa seleção das partes nobres demonstra um conhecimento empírico profundo. Eles sabiam que, para fazer um vinho de luxo digno de festas e celebrações, precisavam da concentração máxima de açúcar e fenois.
3. O Pai do Amarone
É importante lembrar: o Recioto não é o “irmão menor” do Amarone; ele é o pai. O Amarone nasceu muito depois, quase por acidente, quando um barril de Recioto fermentou demais e todo o açúcar virou álcool.
Hoje, o Recioto della Valpolicella é uma raridade protegida por DOCG. É um vinho de sobremesa tinto que não é enjoativo, perfeito para acompanhar chocolate amargo ou queijos azuis.
O Doce Sabor da Tradição
Experimente o vinho que deu origem a tudo. O Recioto é a expressão máxima da doçura natural das uvas passificadas.



