Molinara: O “Moleiro” Salgado e a Polêmica do Corte Valpolicella
Se a Corvina é a rainha e a Rondinella é a escudeira, a uva Molinara é a personagem temperamental e incompreendida da família Valpolicella. Conhecida por sua cor clara e acidez vibrante, ela protagonizou uma das maiores polêmicas recentes da região: ser “expulsa” da obrigatoriedade do corte oficial do Amarone.
1. Por que “Molinara”?
O nome desta uva é uma descrição visual perfeita. Deriva de mulino (moinho) ou do verbo dialetal mulinare. Quem observa as bagas da Molinara no vinhedo nota que elas parecem cobertas por um pó branco fosco.
Isso não é doença, mas sim uma abundância de pruína (uma cera natural que protege a casca), dando a impressão de que os cachos foram polvilhados com farinha de trigo por um moleiro.
2. A Polêmica: Opcional desde 2003
Historicamente, a Molinara era obrigatória no blend do Valpolicella. No entanto, com a moda dos vinhos super escuros e concentrados nos anos 90 e 2000, a Molinara caiu em desgraça devido à sua cor naturalmente pálida (quase rosada).
Em 2003, as regras da DOC mudaram, tornando-a opcional. Muitos produtores industriais a arrancaram para plantar uvas mais escuras. Porém, os tradicionalistas resistiram. Eles sabem de um segredo que a cor não mostra: o sabor.
3. O Sal da Terra
Por que manter a Molinara? Porque ela traz algo que as outras uvas não têm: sapidez.
Produtores de alta gama valorizam a Molinara por sua acidez elevada e suas notas quase salinas e minerais. Em um vinho denso e alcoólico como o Amarone, a Molinara atua como um “lift” de frescor, impedindo que o vinho se torne enjoativo ou pesado demais. Ela é o tempero que dá “drinkability” (bebibilidade) aos grandes tintos.
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